sexta-feira, 6 de julho de 2012

LILI E OS MOINHOS: LUÍS MILANESE


Estou postando um fragmento do livro "A casa da Invenção: biblioteca Centro de Cultura”, de Luís Milanesi.

Descrição As novidades tecnológicas de fins do século XX trouxeram para o campo da disseminação do conhecimento possibilidades que põem em dúvida a permanência dos livros e bibliotecas como instrumentos de informação.    A internet facilita de tal forma o acesso ao conhecimento que é de se perguntar se ela não será suficiente para atender as necessidades nessa área, diminuindo o papel das bibliotecas como acervo literário. Se estas permanecerem na mesma situação, coleção de livros e empréstimo, é provável que sim.    No entanto, se as bibliotecas estenderem essa função para além do convencional, ocuparão espaços maiores na sociedade. Para isso, as bibliotecas deverão ir além do seu objetivo tradicional de informar. Elas terão dois outros verbos como desafios: discutir a informação e criar novas.    Em A Casa de Invenção, o autor discute estas questões, atrelado-as à resistência e a posição autocrítica das bibliotecas.


Lili e os Moinhos

Lili, moça bonita e extrovertida, o que não é comum entre as jovens que optam pela biblioteca como ambiente de trabalho, logo após a sua formatura foi trabalhar no Colégio Piratinga. Entrou otimista, sondou o ambiente e, armada de projetos e sonhos, avançou certa da concretização de seus ideais bibliotecários. Para isso, contava, além do que aprendera na escola, que ela sabia ser pouco, com um encanto pessoal que, em alguns casos, vale mais que as tabelas de classificação e todos os códigos da Biblioteconomia.

O Colégio Piratinga, particular, recebia os filhos da classe média alta, aquelas cujos pais planejam para os seus rebentos um diploma de médico, engenheiro, administrador de empresa e semelhantes, o que poderia colaborar para manter a classe da família. Servindo a essa clientela, o C.P. oferecia benefícios não-usuais aos alunos comuns da rede oficial de ensino. Como escola paga, deveria mostrar algumas vantagens - o suficiente para manter o seu quadro discente completo. No Piratinga as tais "melhores condições de ensino" como, por exemplo, laboratórios e biblioteca, eram mais, muito mais, que a retórica das passeatas de professores com baixo salário e desempenho equivalente. O C.P. pagava bem. Lili, inclusive, estava exultante com a oferta que recebera. O valor era superior a esquálidos holerites pré-aposentadoria que muitas colegas, aquelas pioneiras, ocultavam com resignação.

Como Lili obtivera aquele emprego "caído do céu", como diziam? Além das absolutamente necessárias indicações e referências, era impossível não perceber o entusiasmo da moça em relação a algo que, efetivamente, não animava ninguém. Havia sim uma Biblioteca no C.P., uma saleta mal iluminada, um leve odor de mofo, livros do tempo da fundação da entidade (logo após a Revolução Constitucionalista), algumas doações inúteis de órgãos de governo e, por certo, traças. Era um local adequado aos alunos mais irrequietos. Bastava a ameaça: "eu te mando para a Biblioteca" e a classe ficava em completo silêncio.

Lili, acompanhada pelo Diretor do Estabelecimento, viu aquele cenário levemente lúgubre e conseguiu improvisar uma entusiasmada seqüência de idéias, mesmo que o ambiente não oferecesse qualquer tipo de estímulo. Ganhou o emprego e a simpatia do Chefe graças ao brilho (e à cor) dos seus olhos. E, ainda, promessa de apoio.

Aí estava o desafio de Lili: implantar uma biblioteca útil. Era preciso obstinação, sem dúvida, e das fortes, daquelas que, eventualmente, podem ser identificadas como teimosia. No entanto, quase desistiu do emprego no primeiro dia de trabalho. Chegou em casa exausta, espirrando muito, o seu primaveril vestido lamentavelmente empoeirado. A noite, antes de dormir, fez uma profunda reflexão sobre a guerra suja que teria pela frente e resolveu ir adiante. Lili era alérgica à pó e isso não seria um obstáculo à sua força de vontade demolidora. Pelo menos não era claustrófoba.

O primeiro gesto radical de Lili ocorreu logo na primeira semana de atividades. Fez uma seleção rápida das obras perfeitamente inúteis como, por exemplo, listas telefônicas velhas ou mutiladas e promoveu uma fogueira no pátio, sem pensar na frase que lera em algum lugar sobre a queima de livros como predecessora da queima de homens. Como exercia com muito jeito algumas práticas típicas dos profissionais de relações públicas e políticos em geral, anunciou no Colégio todo a fogueira dos livros. Os próprios alunos, com prazer, ajudaram-na a carregar os volumes para o pátio. Alguns até sugeriram que a queima poderia ser efetuada no interior da própria Biblioteca - o que daria menos trabalho e seria uma ação mais completa. Prevaleceu a idéia original do incêndio ao ar livre. Naquele dia, Lili conquistou o Piratinga. Alguns professores ficaram preocupados, não com a forma de separar as obras inúteis das utilizáveis, mas com a agitação e a pirotecnia do evento.

Com as estantes vazias (quase a metade), Lili preocupou-se com dois grandes problemas: descupinizar o ambiente e ampliar o acervo. Fez junto ao Diretor uma descrição tão pavorosa da ação desses insetos que poderiam destruir todos os livros,inclusive, os valiosos arquivos da Secretaria, que uma firma foi contratada imediatamente para eliminar cupins, traças e quaisquer outros bibliófagos. O segundo problema era muito mais grave: o C.P., em seu orçamento, não incluíra a aquisição de livros. Não dá para comprar livros sem recursos. A idéia geral é que sempre haverá alguma boa alma que esteja querendo limpar a casa e doar uns livros dos filhos que não servem mais aos netos.

- Como é possível formar sem informar? perguntou Lili.

- Aqui a formação e a informação são dadas em sala de aula, desculpou-se o Diretor.

Lili ficou surpresa com a argumentação, mas naquele momento não encontrou nenhuma resposta adequada, além da mais tradicional para essas situações:

- Bem, Senhor Diretor, o jeito é fazer uma campanha para a obtenção de recursos para a compra de livros.

O Diretor respondeu com os ombros, eloqüentes, não deixando dúvidas: esse assunto não lhe dizia respeito. Lili aceitou o desafio. Iria movimentar a Associação de Pais e Mestres e os próprios alunos, faria uma barraca na tradicional festa junina, realizaria concurso de beleza, rifas, livro de ouro e o que fosse necessário para não deixar a Biblioteca naquele estado de penúria. Inclusive, aceitaria doação de livros, desde que fossem novos ou, pelo menos, quase.

Em menos de três meses, Lili arrecadou o suficiente para comprar cerca de oitocentos obras. Das três mil doações, foram aproveitados uns duzentos volumes. Além disso, incluíram-se na compra discos, diapositivos, mapas, tudo isso uma grande novidade para o Piratinga. Com esse empenho e sucesso, certamente, estava aberto o caminho para novos problemas. Por exemplo: aonde colocar aquele material todo? Nova batalha tomou todo o tempo e emoções de Lili: a conquista de um espaço mais adequado à nova Biblioteca. Ela dizia a palavra "nova", escandindo as sílabas. Palmo a palmo, o terreno foi sendo tomado. Não exatamente como ela queria, mas a área ampliou-se pelo menos três vezes, ocupando salas adjacentes e ganhando, com isso, alguns inimigos. Em pouco tempo, o cenário estava mudado. Logo na porta, no alto, afixara uma placa que dizia: "aqui, a sua liberdade". Parece que a frase causou alguma perplexidade.

A inauguração foi festiva. Pais e alguns mestres compareceram. A Biblioteca não parecia ter saído dos manuais de Biblioteconomia. Havia uma estante com novidades onde os volumes não mostravam a lombada, mas a capa. Num móvel improvisado estavam dois jornais do dia (Lili conseguira a doação das assinaturas) e algumas revistas. O que não existia mais era bolor, insetos, fungos e o "inferninho", armário onde almas piedosas trancafiavam livros que pudessem comprometer a boa formação dos alunos. Ali estavam O Cortiço, O Crime do Padre Amaro e outras obras que pudessem pôr em dúvida o bom nome do Colégio. Lili entendeu que a classificação era por assunto e não pela gradação moral da obra. Por isso, o livro de Eça de Queiroz foi parar mesmo na área reservada à literatura portuguesa.

No dia seguinte à inauguração, Lili madrugou na Biblioteca Comendador Saraiva - o nome que, por decisão da Diretoria, foi dado à nova repartição - à espera do primeiro leitor. Ele demorou a chegar e não manifestou interesse especial pelo acolhimento de Lili: queria apenas "fazer pesquisa" naquele "livro grande". O alvo era Frei Caneca e o tal livro, a Enciclopédia Barsa. O verbete foi localizado e o aluno se pôs a copiar. Lili observou que, esgotado o verbete, o menino pulara para o seguinte. Logo depois, a jovem bibliotecária ouviria a frase que a perseguiria por um bom tempo:

- Tia, até onde eu copeio?

"Está tudo errado", concluiu Lili. A partir daquele momento percebeu que não adiantava muito ter uma bem instalada Biblioteca, acervo rico e tudo continuar na mesma, como se a Biblioteca fosse ainda aquele lixo mofado. A bem da verdade, por vários dias a freqüência foi baixíssima, como antes. E cada um que chegava repetia o ritual: buscava o verbete para ser copiado. "Assim é que o professor quer", defendeu-se um aluno acossado por Lili com vários outros livros sobre o assunto que o "pesquisador" rapidamente copiava.

Quando a Biblioteca ficava vazia, Lili punha no velho toca-discos doado um Vivaldi ou Mozart (o seu preferido). Nesses momentos, ela ficava atenta, à espera de algum aluno que, atraído pela música, lá entrasse. Não adiantava. "Será o repertório?", indagou Lili, pronta a pôr em prática o que fosse possível para atrair o seu público. Um dia ousou: um rock. Nada aconteceu. Sentiu-se ridícula. Os alunos só entravam na Biblioteca quando algum professor exigia as invariáveis pesquisas. De seu vasto arsenal de iscas para capturar leitores localizou algo que, talvez, pudesse destruir aquela horrível rotina que reduzia o seu rico acervo a uma única enciclopédia. Resolveu colocar em prática algo que não aprendera na escola: fazer uma gibiteca. Não era disso que os adolescentes gostavam? A reação foi de espanto discreto. Não dos alunos, mas de alguns professores que entendiam ser aquilo um desestímulo à boa leitura. Lili espalhara uma série de cartazes: "gibis na Biblioteca" diziam eles ilustrados com figuras do Pato Donald, Tarzan, Mônica, Fantasma, Zorro, Super-homem e outras mais. Isca infalível. Alguns curiosos apareceram. A jovem e irrequieta bibliotecária que introduzira o carnaval no templo observava com muita atenção os movimentos de seu querido público em torno dos gibis. Depois de alguns dias, percebeu que eram sempre os mesmos que iam remexer a caixa onde eles eram guardados. E ainda: por mais que destacasse livros e revistas, colocando-os ao alcance dos olhos e das mãos dos leitores de gibis, estes não pareciam servir de iscas para aqueles. Os alunos devoravam as aventuras dos super-heróis, deliciados, mas não queriam saber do biscoito fino da leitura de livros propriamente ditos.

A imaginação de Lili era, de suas qualidades, a mais destacada. Notou um fato significativo, mesmo sendo óbvio: os alunos faziam as suas pesquisas depois das aulas. "Porque não antes?" perguntou-se na solidão de sua Biblioteca quase vazia. Para ela estava claro que os alunos só realizavam as tais pesquisas porque era obrigatório. Se não fosse, nem mesmo abririam as enciclopédias. Biblioteca era igual a pesquisa e pesquisa igual a um dever. Nunca um prazer. Mas isso é problema de bibliotecários ou de professores? Por que Duque de Caxias não passava de um mero verbete? E que nem era lido, mas transposto caligraficamente para folhas que, depois, receberiam algum adorno e, pronto, tudo era entregue ao professor de História. Não havia segredo para passar de ano.

Foi então que Lili desconfiou que poderia aliar-se aos professores. Pediu a eles que sugerissem novos livros aos alunos para que ampliassem as possibilidades de leitura. Parece que isso não alterou nada, pois os professores não respondiam com empenho os formulários que lhes eram enviados com o objetivo de organizar a bibliografia básica a ser usado no Colégio. O retorno foi de 12%, baixíssimo. Poucos mestres tiveram a pachorra de indicar livros que pudessem ser alternativos aos verbetes. E quando isso acontecia e Lili comprava as obras, colocando-as ao dispor dos alunos, eles passaram simplesmente a copiar os livros indicados, preenchendo as expectativas daqueles que, por dever de ofício, deveriam avaliar os trabalhos, dar notas, aprovando ou reprovando. Lili percebeu que, dificilmente, escaparia daquela fatalidade burocrática de indicar os livros para serem copiados - sempre depois das aulas.

Ocorreu-lhe, então, uma nova idéia de campanha: convencida das potencialidades de uma pesquisa a ser feita pelos alunos, de fato, antes das aulas, empreendeu um novo e avassalador esforço de divulgação: "pesquise antes". Isso, evidentemente, iria lhe custar muito. Teve de inteirar-se dos currículos e programas de ensino. Ela queria antecipar a Biblioteca à sala de aula. Era uma idéia inovadora, uma proposta que mudava a rotina, mas a bibliotecária não poderia imaginar que lhe trouxesse tantas turbulências.

Conseguindo o programa de ensino do Piratininga, Lili programou a Biblioteca. Claro que não pode dar uma cobertura completa, pois seriam necessários espaço e acervos maiores. Mas isolou alguns temas. Um deles, por exemplo, foi a Guerra do Paraguai. Lili organizou um painel especial sobre o assunto: juntou livros a recortes e frases de sua criação. Uma delas: "Caxias é um herói ou um bandidão genocida?" Os alunos ficaram intrigados. Afinal, o Duque era sempre homenageado em ruas, praças e estátuas eqüestres, inclusive em salas de aula. Bandido? "Descubra aqui", dizia outra frase, sobre uma série de indicações bibliográficas. O painel fora enriquecido, ainda, com referências a pintores da época e à música que se fazia no Brasil naquele período do Segundo Reinado. A novidade espalhou-se pela escola. Livros que por longas semanas permaneceram virgens passaram a ser disputados. Na própria Biblioteca, espontaneamente, formaram-se grupos de discussão, dos quais até Lili, deliciada, participava.

Aí as desgraças começaram a ocorrer. Quase custaram o emprego da aplicada e promissora bibliotecária do C.P. No dia da aula referente à Guerra do Paraguai, ocorreu um inédito e inquetante episódio: o professor quase foi trucidado pelos alunos que ergueram os seus dedinhos impertinentes, lançando questões que o programa de ensino não abarcava. Em pouco tempo, o abúlico professor, que há décadas ruminava as suas narrativas históricas, foi obrigado a recorrer ao seu paiol de armas para pôr ordem na classe. Os alunos pareciam enfurecidos, fazendo perguntas agressivas, verdadeiros insultos ao herói nacional. De onde viera aquela desintegração? Quem é que andava semeando dúvidas? Por que os alunos não ouviam apenas? E sem que ninguém nos ouça: eles estavam fazendo perguntas que o mestre não sabia responder. Teve que impor a sua autoridade. Naquele dia fatídico o professor saíra revoltado da sala, sentindo-se ultrajado pela petulância daqueles fedelhos que achavam ter mais conhecimentos do que ele. Sem dúvida, havia uma inversão de valores. Afinal, professor existia para ensinar e aluno para aprender, não é mesmo?

Posteriormente, ocorreu outra cena memorável na aula de Português, quando uma aluna corrigiu um dado referente à biografia de Machado de Assis que estava sendo monotonamente destilada. "Quem sabe mais, eu ou a senhora?" perguntou a mestra que, prestes a se aposentar, nunca se sentira tão humilhada como naquele episódio. Por algum tempo, cenas assim foram se repetindo pelas classes do Piratinga. Diagnosticou-se, de início, uma" crise existencial da juventude". Um dia, um professor, um dos raros a pôr os pés na Biblioteca, pois habitualmente lia os jornais recebidos, viu um dos painéis de Lili. Leu, releu, intuiu. Num relâmpago, teve a certeza: ali estava a origem da ação desagregadora que se observava no Piratinga. Quem diria, a Biblioteca? Ela nunca havia dado trabalho, sempre fora apenas um apoio didático. É verdade que aquela bibliotecária tinha antecedentes: ela criara a gibiteca e promovera aquela espantosa queima de livros no pátio. Agora, fazia esforço para criar dúvidas. Escola não deve criar dúvidas, mas resolvê-Ias, dando as respostas corretas. Aluno não tem maturidade para ler de tudo e discernir. Assim, vai acabar não fixando nada.

Naquele mesmo dia, o professor-detetive fez um relato minucioso na sala onde os mestres se reuniam para tomar café, apostando na ação pérfida da bibliotecária como a causadora daquela indesejável agitação dos alunos em sala de aula. A certeza sobre o caráter subversivo da bibliotecária espalhou-se rapidamente. "Dona Lili, não vás além das sandálias", alguém dissera na reunião dos professores. Quem pensava que era para interferir nas salas de aula?

Ali mesmo foi esboçada redação de um documento dos professores a ser encaminhado à Direção do Piratinga. Nele Lívia Maria Nabuco, Lili, era acusada de perturbar o processo normal do ensino, induzindo os alunos a leituras pouco recomendáveis aos propósitos de uma escola tão tradicional como aquela. No final do documento, diziam os professores: "Pedimos a V.Sa. a gentileza de determinar à Biblioteca Comendador Saraiva que se atenha unicamente à bibliografia recomendada e, especialmente, às obras adotadas pelos professores como diretrizes para as aulas. Qualquer desvio, poderá sentir V.Sa., será uma ameaça à autoridade que os professores precisam manter junto ao corpo discente. Leituras que não as indicadas serão vistas como elementos de perturbação do trabalho pedagógico pelo qual somos os únicos responsáveis". O documento alongou-se em reflexões sobre a autoridade do professor, os perigos da falta de disciplina, a responsabilidade educacional, sugerindo medidas para restabelecer a ordem.

O Diretor do Colégio ao receber o abaixo-assinado levou um susto, não imaginando que Lili pudesse ser uma figura com tanta periculosidade. Chamou-a à Diretoria, e apresentou o documento. Lili não mexeu um músculo, mas percebeu que, enfim, pudera participar de forma significativa da vida daquela instituição na sua busca de "melhoria do nível de ensino". E foi isso que Lili disse ao Diretor, cândida e serenamente. Ele fez a sua obrigação: advertiu a sua funcionária, pedindo a ela que não lhe criasse problemas, evitando comprometer o bom nome do Colégio e a confiança que os pais tinham nele. Lili ouviu tudo, prometeu refrear as suas ações e continuou, através de seu trabalho, lutando como um Dom Quixote contra o ponto final da autoridade em favor das vírgulas e das conjunções adversativas. Mas não pôde cumprir a promessa. A freqüência à Biblioteca aumentava dia-a-dia, os alunos iam diretamente às estantes vasculhar o acervo, alguns passavam o dia lá. Parece que encontravam naquele espaço a liberdade que, habitualmente, a sala de aula lhes negava. ...

(Fonte: MILANESI, Luís. Lili e os moinhos. In: ________. A casa da invenção. 4.ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 1997. p. 150-157.)

POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO

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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

Mensagem de vetoVide texto compilado
Institui a Política Nacional do Livro
        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
DA POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO
DIRETRIZES GERAIS

        Art. 1o Esta Lei institui a Política Nacional do Livro, mediante as seguintes diretrizes:
        I - assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro;
        II - o livro é o meio principal e insubstituível da difusão da cultura e transmissão do conhecimento, do fomento à pesquisa social e científica, da conservação do patrimônio nacional, da transformação e aperfeiçoamento social e da melhoria da qualidade de vida;
        III - fomentar e apoiar a produção, a edição, a difusão, a distribuição e a comercialização do livro;
        IV - estimular a produção intelectual dos escritores e autores brasileiros, tanto de obras científicas como culturais;
        V - promover e incentivar o hábito da leitura;
        VI - propiciar os meios para fazer do Brasil um grande centro editorial;
        VII - competir no mercado internacional de livros, ampliando a exportação de livros nacionais;
        VIII - apoiar a livre circulação do livro no País;
        IX - capacitar a população para o uso do livro como fator fundamental para seu progresso econômico, político, social e promover a justa distribuição do saber e da renda;
        X - instalar e ampliar no País livrarias, bibliotecas e pontos de venda de livro;
        XI - propiciar aos autores, editores, distribuidores e livreiros as condições necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei;
        XII - assegurar às pessoas com deficiência visual o acesso à leitura.
CAPÍTULO II
DO LIVRO
        Art. 2o Considera-se livro, para efeitos desta Lei, a publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer formato e acabamento.
        Parágrafo único. São equiparados a livro:
        I - fascículos, publicações de qualquer natureza que representem parte de livro;
        II - materiais avulsos relacionados com o livro, impressos em papel ou em material similar;
        III - roteiros de leitura para controle e estudo de literatura ou de obras didáticas;
        IV - álbuns para colorir, pintar, recortar ou armar;
        V - atlas geográficos, históricos, anatômicos, mapas e cartogramas;
        VI - textos derivados de livro ou originais, produzidos por editores, mediante contrato de edição celebrado com o autor, com a utilização de qualquer suporte;
        VII - livros em meio digital, magnético e ótico, para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual;
        VIII - livros impressos no Sistema Braille.
        Art. 3o É livro brasileiro o publicado por editora sediada no Brasil, em qualquer idioma, bem como o impresso ou fixado em qualquer suporte no exterior por editor sediado no Brasil.
        Art. 4o É livre a entrada no País de livros em língua estrangeira ou portuguesa, isentos de imposto de importação ou de qualquer taxa, independente de licença alfandegária prévia.
        Art. 4o É permitida a entrada no País de livros em língua estrangeira ou portuguesa, imunes de impostos nos termos do art. 150, inciso VI, alínea d, da Constituição, e, nos termos do regulamento, de tarifas alfandegárias prévias, sem prejuízo dos controles aduaneiros e de suas taxas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)
CAPÍTULO III
DA EDITORAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO LIVRO
        Art. 5o Para efeitos desta Lei, é considerado:
        I - autor: a pessoa física criadora de livros;
        II - editor: a pessoa física ou jurídica que adquire o direito de reprodução de livros, dando a eles tratamento adequado à leitura;
        III - distribuidor: a pessoa jurídica que opera no ramo de compra e venda de livros por atacado;
        IV - livreiro: a pessoa jurídica ou representante comercial autônomo que se dedica à venda de livros.
        Art. 6o Na editoração do livro, é obrigatória a adoção do Número Internacional Padronizado, bem como a ficha de catalogação para publicação.
        Parágrafo único. O número referido no caput deste artigo constará da quarta capa do livro impresso.
        Art. 7o O Poder Executivo estabelecerá formas de financiamento para as editoras e para o sistema de distribuição de livro, por meio de criação de linhas de crédito específicas.
        Parágrafo único. Cabe, ainda, ao Poder Executivo implementar programas anuais para manutenção e atualização do acervo de bibliotecas públicas, universitárias e escolares, incluídas obras em Sistema Braille.
        Art. 8o É permitida a formação de um fundo de provisão para depreciação de estoques e de adiantamento de direitos autorais.
        § 1o Para a gestão do fundo levar-se-á em conta o saldo existente no último dia de cada exercício financeiro legal, na proporção do tempo de aquisição, observados os seguintes percentuais:
        I - mais de um ano e menos de dois anos: trinta por cento do custo direto de produção;
        II - mais de dois anos e menos de três anos: cinqüenta por cento do custo direto de produção;
        III - mais de três anos: cem por cento do custo direto de produção.
        § 2o Ao fim de cada exercício financeiro legal será feito o ajustamento da provisão dos respectivos estoques.
        Art. 8o As pessoas jurídicas que exerçam as atividades descritas nos incisos II a IV do art. 5o poderão constituir provisão para perda de estoques, calculada no último dia de cada período de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, correspondente a 1/3 (um terço) do valor do estoque existente naquela data, na forma que dispuser o regulamento, inclusive em relação ao tratamento contábil e fiscal a ser dispensado às reversões dessa provisão. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)       
        Art. 9o O fundo e seus acréscimos serão levados a débito da conta própria de resultado, sendo seu valor dedutível, para apuração do lucro real. As reversões por excesso irão a crédito para tributação.
        Art. 9o A provisão referida no art. 8o será dedutível para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)
        Art. 10. (VETADO)
        Art. 11. Os contratos firmados entre autores e editores de livros para cessão de direitos autorais para publicação deverão ser cadastrados na Fundação Biblioteca Nacional, no Escritório de Direitos Autorais.
        Art. 12. É facultado ao Poder Executivo a fixação de normas para o atendimento ao disposto nos incisos VII e VIII do art. 2o desta Lei.
CAPÍTULO IV
DA DIFUSÃO DO LIVRO
        Art. 13. Cabe ao Poder Executivo criar e executar projetos de acesso ao livro e incentivo à leitura, ampliar os já existentes e implementar, isoladamente ou em parcerias públicas ou privadas, as seguintes ações em âmbito nacional:
        I - criar parcerias, públicas ou privadas, para o desenvolvimento de programas de incentivo à leitura, com a participação de entidades públicas e privadas;
        II - estimular a criação e execução de projetos voltados para o estímulo e a consolidação do hábito de leitura, mediante:
        a) revisão e ampliação do processo de alfabetização e leitura de textos de literatura nas escolas;
        b) introdução da hora de leitura diária nas escolas;
        c) exigência pelos sistemas de ensino, para efeito de autorização de escolas, de acervo mínimo de livros para as bibliotecas escolares;
        III - instituir programas, em bases regulares, para a exportação e venda de livros brasileiros em feiras e eventos internacionais;
        IV - estabelecer tarifa postal preferencial, reduzida, para o livro brasileiro;
        V - criar cursos de capacitação do trabalho editorial, gráfico e livreiro em todo o território nacional.
        Art. 14. É o Poder Executivo autorizado a promover o desenvolvimento de programas de ampliação do número de livrarias e pontos de venda no País, podendo ser ouvidas as Administrações Estaduais e Municipais competentes.
        Art. 15. (VETADO)
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES GERAIS
        Art. 16. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios consignarão, em seus respectivos orçamentos, verbas às bibliotecas para sua manutenção e aquisição de livros.
        Art. 17. A inserção de rubrica orçamentária pelo Poder Executivo para financiamento da modernização e expansão do sistema bibliotecário e de programas de incentivo à leitura será feita por meio do Fundo Nacional de Cultura.
        Art. 18. Com a finalidade de controlar os bens patrimoniais das bibliotecas públicas, o livro não é considerado material permanente.
        Art. 19. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
        Brasília, 30 de outubro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Márcio Thomaz Bastos
Antonio Palocci Filho
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
Jaques Wagner
Márcio Fortes de Almeida
Guido Mantega
Miro Teixeira
Ricardo José Ribeiro Berzoini
Gilberto Gil

Este texto não substitui o publicado no DOU de 31.10.2003 (Edição extra)

Aprendizagem com mobilidade - potenciais da cibercultura



A cibercultura em tempos de mobilidade. A mobilidade antes e depois da conectividade em rede.Convergência de mídias e seus potenciais na mobilidade. Apropriação social dos dispositivos móveis e das midias. Educação e midias móveis. 


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Aspectos sociotécnicos e culturais da mobilidadeia
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Além do desenvolvimento tecnológico e do acesso de boa parte da população a esses recursos, vivenciamos um crescente movimento de redes educativas que articulam e fazem convergir o ciberespaço e as cidades. As noções de “redes educativas” e de espaços multirreferenciais de aprendizagem dão conta dos espaçostempos plurais e diversos, onde os praticantes ensinamaprendem instituindo itinerâncias cotidianas no e com o mundo. Num primeiro momento dos estudos sobre cibercultura, o ciberespaço e seus usos eram a centralidade das discussões. O ciberespaço era visto e pensado como um “espaço acima do mundo físico, no qual a informação está livre de constrangimentos materiais e geográficos e dos monopólios dos privilégios, informação disponível ao acesso de todos, nos fluxos de uma mente e outra compondo uma rede coletiva desvinculadas das cruéis contradições do mundo dito real”. (Santaella, 2010,p. 68). Atualmente temos a hibridação entre cidades e ciberespaço, graças a emergências das midias sociais e dos disposítivos móveis. Este processo vem desafiando as práticas pedagógicasna cibercultura. Para saber mais veja a Série: "Cibercultura: o que muda na Educação" do Programa Salto para o Futuro.
Programa TV Escola lançou uma série muito rica intitulada “Cibercultura: o que muda na Educação” que conta com a participação e autoria de importantes professores e pesquisadores da área de educação online.
Veja e baixe os programas no site: http://www.tvbrasil.org.br/saltoparaofuturo/boletins.asp
Programas:


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Tipos de mobilidade
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A evolução dos computadores, dos dispositivos e das conexões móveis, das mídias sociais que se comunicam em rede e a convergência de mídias, o cérebro movimenta-se juntamente com a atividade corporal em movimento nas cidades (Santaella, 2007). Mobilidade é uma das palavras-chave da cibercultura atual. Por outro lado, não é uma noção nova. Lemos (2008) nos apresenta pelo menos três tipos de mobilidade:

1- a mobilidade física/espacial (locomoção, transportes)
meios de transportes
2- a mobilidade cognitiva/imaginária (pensamentos, sonhos, religião)
imaginação
3- a mobilidade virtual/informacional midias móveis

Esta última vem potencializando as práticas culturais do nosso tempo.
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Dos meios de comunicação doméstica à conexão generalizada
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Se analisarmos a emergência dos meios de comunicação domésticos anteriores a internet, já contávamos com mídias móveis, a exemplo do rádio de pilha, que permitiu que carregássemos o som em nossos corpos para além do som controlado nos aparelhos fixos de casa. Se voltarmos um pouco mais na história, podemos citar os livros e outros impressos (jornais, revistas) também como exemplos de mídias móveis. O que muda com a cibercultura é que mais que a portabilidade das mídias nas cidades, temos a nosso favor a conectividade com o ciberespaço e neste com as cidades.
Em tempos mobilidade e de conexões generalizadas e em rede, podemos compartilhar e acessar simultâneamente vários lugares. Estamos diante da potencia da ubiqüidade. Nos esclarece Santaella “a ubiquidade destaca a coincidência entre deslocamento e comunicação, pois o usuário comunica-se durante seu deslocamento. A onipresença, ao contrário, oculta o deslocamento e permite ao usuário continuar suas atividades mesmo estando em outros lugares”. (Santaella, 2010, p. 17).
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Mais acessos a mobilidade conectada
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Segundo Ferrari (2007), o crescimento da comercialização de notebooks, laptops, celulares e PDAs (Personal Digital Assistants), aliado aos avanços vertiginosos das operadoras de telefonia, integradores e provedores de aplicações, conteúdo e serviços, coloca o Brasil, ao lado da China, em uma projeção de crescimento acima de 50% ao ano para o setor móvel. V

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Convergência de mídias: potenciais da mobilidade______________________________
A convergência midiática não é uma noção exclusiva da cibercultura. Se analisarmos do ponto de vista da linguagem podemos situar os meios impressos como primeiros exemplos. Num texto de jornal, por exemplo, já contamos com uma infinidade de linguagens (textos, imagens, gráficos) numa mesma interface. Os meios audiovisuais avançam para a integração de textos, imagens e sons num mesmo suporte a exemplo do cinema e da TV. Por outro lado, é na cibercultura que chegamos ao ápice da convergência de mídias. O celular ou tablets mais atuais integram num mesmo suporte diversas mídias (câmera fotográfica, filmadora, gravador de som, web com suas interfaces e redes sociais) e estas com o ciberespaço com as cidades (aqui já temos um plus em relação aos dispositivos móveis, as mídias locativas).



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Case 1: o social se apropriando da mobilidade conectada
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Em abril de 2010, o Brasil acompanhou durante pelo menos dois dias alguns constrangimentos sofridos na cidade do Rio de Janeiro por conta do mal tempo geográfico. Cidadãos cariocas inundaram a internet e as redações das agências de notícias com imagens (estáticas e dinâmicas – fotos e vídeos) tiradas com seus dispositivos móveis. O fenômeno chamou tanta atenção que virou notícia “Internautas e vídeos colaborativos” num programa de TV por assinatura, “Entre Aspas” da Globo News (Ver link: http://globonews.globo.com/platb/entreaspas/2010/04/08/internatas-e-videos-colaborativos/ ). Fenômeno similar aconteceu no inicio do ano de 2011 com a tragédia sofrida por moradores da região serrana do estado do Rio de Janeiro. O mundo acompanhou a tragédia e seus desdobramentos nas cidades e no ciberespaço em diversas interfaces, repositórios e redes sociais online. Vejam a segui um exemplo:


case

Um cidadão comum fotografou a cidade no momento da tragédia, produziu um vídeo com o material fotográfico e o fez circular na rede através do repositório de imagens e rede social Youtube. Este vídeo chamou nossa atenção também pelo fato do autor, Rodrigo, deixar a sua assinatura na forma do seu endereço eletrônico ( rodrigofs2904@hotmail.com), demarcando assim não só a autoria do artefato, como também deixando o canal de comunicação aberto com seus possíveis interlocutores. Aqui temos um exemplo concreto de que os praticantes na e da cibercultura entendem a “liberação do pólo da emissão” para além da lógica da difusão da informação, mas também como possibilidade concreta de comunicação em rede.

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Case 2: Educando com os potenciais da mobilidade
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Aprendendo com o cinema: para além dos muros da escola

Entre os muros da escola
Nos espaços de formação de professores é comum o uso de narrativas cinematográficas para a promoção de debates, análises e atividades que ilustrem práticas pedagógicas ou “modelos” de professores obstinados pela docência. Quem já não discutiu “Sociedade dos Poetas Mortos”, “Ao mestre com carinho” e até mais recentemente “Escritores da Liberdade”? Quem não teve oportunidade de assistir, pelo menos, já ouviu falar...

Em “Entre os muros da escola”, estudantes de e com culturas e atitudes plurais contribuem para tornar a sala de aula uma arena onde a diferença é o principal instrumento do debate-embate. O exercício da alteridade, do aceitar e ser aceito pelo outro é um dos principais argumentos desta narrativa cinematográfica. François, o personagem-professor, também é protagonista no exercício da alteridade. (Santos, 2010). Mas não é exatamente sobre o conteúdo geral da narrativa que queremos destacar aqui. Queremos ressaltar o uso do celular como dispositivo móvel, promotor da autoria do aluno. Este artefato cultural, muitas vezes é proibido na escola.Uma pena...
Com os potenciais da mobilidade, a sala de aula convencional pode e deve sofre mudanças em sua arquitetura, nos modos e nos meios de comunicação e nas prática pedagógicas. Vejamos cena do filme onde o professor aproveita a autoria do aluno estruturada pelo celular.
Cena 1- "professor solicita tarefa do auto-retrato" -
Cena 2 - "cena no laboratório de informática - autoria do aluno com celular" -
***Vale a pena locar o filme e assistir por completo. Marque , se possível, um encontropresencial com seuscolegas de turma e assistam juntos! Bom filme!
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Convite ao fórum de discussão online
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Conforme vimos no trecho do filme "Entre os muros da escola", o aluno criou seu “auto-retrato”, atividade proposta pelo professor, protagonista da narrativa, utilizando o celular (recursos de fotografia) para registrar seu cotidiano de forma autoral e singular. Perguntamos:
  1. Que outras situações de aprendizagens poderão ser promovidas com as mídias móveis na escola e nas cidades?
  2. Que tal compartilharmos outras experiências com uso da mobilidade?
  3. Como você pensa em desenvolver situações de aprendizagem que lancem mão dos potenciais da mobilidade?
  4. Que tal aproveitar os debates online para cocriarmos um “banco” de atividades e projetos didáticos que utilizem dispositivos móveis?
Concluindo para acessarmos outras conexões
Enfim, estas e outras questões não precisam ser respondidas agora. Mas poderemos com elas desenvolver outras discussões em nossos espaços móveis de educação, na escola, nas cidades e no ciberespaço. Vamos agora debater em nosso fórum de discussão online? Sua docencia online e os colegas de turma esperam por você. Vamos ao debate!
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Referenciais
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ARDOINO, J. Para uma pedagogia socialista. Brasília: Editora Plano, 2003.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1: artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995.
FRANÇA, Vera. Sujeito da comunicação, sujeitos em comunicação. In: GUIMARÃES, César; FRANÇA, Vera (orgs.). Na mídia, na rua: narrativas do cotidiano. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
LEMOS, A. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina. 2002.
______. Cibercultura e mobilidade: a era da conexão. Razón y Palabra, n. 41, , out.-nov. 2008. Disponível em: http://www.cem.itesm.mx/dacs/publicaciones/logos/anteriores/n41/alemos.html . Acessado em janeiro de 2009.
______. Mídias locativas e territórios informacionais. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/midia_locativa.pdf . Acessado em dezembro de 2008.
LEMOS, R. Web 2.0: compreensão e resolução de problemas. Rio de Janeiro: FGV On-line, 2006.
LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Ed. 34, 1996.
______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
MACEDO, R. S. A etnopesquisa crítica e multirreferencial nas ciências humanas e na educação. Salvador: EDUFBA, 2000.
SANTOS, Edméa. O. Os docentes e seus laptops 2g: desafios da cibercultura na era da mobilidade In: Challenges – VI Conferância Internacional de TIC na Educação, 2009, Braga - PT. Actas da VI-VI Conferência Internacional de TIC na Educação: aprendizagem (in)formal na Web Social. Universidade do Minho, 2009.
______. Educação online como um fenômeno da cibercultura. In: SILVA, M. et al. Educação online: cenários, formação e questões didático–metodológicas. Rio de Janeiro: Editora Wak. 2010.

_______. “Entre os muros da escola”: imagens e autorias no laboratório de Informática. In: Jornal Eletrônico “Educação e Imagem”, número 22. Rio de Janeiro, UERJ - Laboratório de Educação e Imagem, 2010. Acessado em agosto de 2011 http://www.lab-eduimagem.pro.br/artigos_jornal.php?cat=1&id=177 .

_______.Comunicação e Educação na era da mobilidade. In: Jornal Eletrônico “Educação e Imagem”, número 24. Rio de Janeiro, UERJ - Laboratório de Educação e Imagem, 2010. Acessado em agosto de 2011. http://www.lab-eduimagem.pro.br/artigos_jornal.php?cat=1&id=218

SOARES, M. Conceição S. A comunicação praticada com o cotidiano da escola: currículos, conhecimentos e sentidos. Vitória: Espaço Livros, 2009.
SODRÉ, Muniz. Antropológica do espelho: uma teoria da comunicação linear e em rede. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O que vem por aí na música em 2011 – Discos Brasileiros

Depois de mostrar os lançamentos de discos internacionais previstos para 2011, vamos dar seguimento mostrando o que será lançado no Brasil. Se 2010 foi um ano de destaque para estreias e novos nomes, o novo ano deve ser da consolidação definitiva da música brasileira contemporânea, com nomes como Otto, Cidadão Instigado e Lucas Santtana lançando novos discos depois de álbuns marcantes. Haverá novidades ainda de medalhões como Chico Buarque, Marisa Monte e Gal Costa, além de uma lista de consagrados e revelações que prometem marcar, como nos últimos anos, a música brasileira atual.

Racionais Mc´s lança aguardado novo disco em 2011

Alguns dos discos previstos para 2011 vêm sendo esperados com bastante expectativa. É o caso do novo trabalho do Racionais MC´s. Há oito anos sem um CD novo, depois de trabalhos aclamados pela crítica e que catapultaram o rap e o hip hop para um lugar inédito na música brasileira, Mano Brown e sua trupe estão produzindo um disco cheio de mistérios. Não há muitas informações, mas é provável que o álbum venha menos politizado e denso, flertando com os sons da música Black setentista e com temas mais pessoais.

Numa praia bem diferente, o novo disco de Gal Costa também é um dos esperados com ansiedade para 2011. Isso porque, a cantora baiana aceitou a proposta de Caetano Veloso de produzir e compor o trabalho para ela. Mais: Caetano, que tem como coprodutor o filho Moreno, promete dar uma nova sonoridade à música de Gal, diferente do que ela vem fazendo comumente. Para isso está compondo um repertório, que inclui metade de músicas inéditas, e convocou Jacques Morelenbaum e o guitarrista Pedro Sá para ajudarem na produção musical, um para sofisticar com arranjos mais clássicos, incluindo naipe de cordas, e o outro para inserir uma veia mais roqueira.

Outra cantora consagrada que deve lançar disco novo é Marisa Monte. Sem lança material novo desde 2006, ela já está em estúdio e pretende soltar o álbum acompanhado de uma turnê com pretensões internacionais. Como de costume na carreira da cantora, pouco se sabe a respeito do trabaho. Mariana Aydar é outra que prepara novo álbum para 2011, o terceiro da carreira. Outra cantora com novidades é Thaís Gulin, que lança o segundo álbum ainda no primeiro semestre. O trabalho traz dueto com Chico Buarque, numa música inédita do compositor, “Se Eu Soubesse”; uma inédita de Adriana Calcanhotto; “Paixão, Passione, de Ivan Lins e Vítor Martins; além

de participação de Tom Zé em “Ali Sim, Alice”, do próprio baiano. Tem também Paula Toller num registro que marca o retorno do Kid Abelha. E dentro desses sons vindos dos anos 80 até o RPM anunciou disco novo.

Em 2011, o CSS (Cansei de Ser Sexy) lança seu terceiro disco, voltando à atmosfera do álbum de estréia, com letras divertidas e sonoridade eletro, com guitarras e aquele jeitinho meio tosco, mas com inclusão de novos elementos, como instrumentos acústicos – trompetes, escaletas, violões. O disco deve ser lançado primeiramente na Europa e Estados unidos e só depois no Brasil. Outra banda brasileira com fama no exterior que lança em 2011 é o Sepultura. O grupo grava o álbum neste mês de janeiro nos estúdios Trama, em São Paulo, sob produção de Roy Z. Outras bandas que devem lançar disco em 2011 são Leela, CPM 22, Inocentes, com um vinil contendo quatro músicas

Arnaldo Baptista, ex-Mutantes, solta novo disco solo, 'Esphera'

Entre os cantores, as novidades previstas para o ano são os discos de Otto, Lenine, Marcelo Camelo, Wado, Arnaldo Baptista e Chico Buarque. Este último já voltou a compor novas músicas e um novo disco, cinco anos depois do último, deve sair no final de 2011. O trabalho também deve ser seguido de uma turnê. O ex-Mutante Arnaldo Baptista também vai voltar a mostrar as caras com um trabalho solo novo. Batizado de Esphera, o novo disco já está em pré-produção e entre músicas novas traz uma versão de ‘Singin’ Again’, uma das músicas inéditas em disco gravada em 1978 para o álbum Elo Perdido de Arnaldo com a Patrulha do Espaço e vetada pela gravadora.

Enquanto isso, Marcelo Camelo vai dar continuidade a sua carreira solo, com o lançamento de seu segundo disco, que já está sendo gravado em São Paulo. Otto, ainda angariando os frutos de seu excelente último trabalho, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranqüilos, prepara o novo álbum, que se chamará The Moon 1111 e inspiração no espaço sideral.

O novo disco de Lenine, o sexto de estúdio, também está garantido para 2011, assim como o novo de Wado. O trabalho do alagoano-catarinense, batizado como Samba 808, está previsto para o primeiro semestre do ano e deve trazer de volta o lado mais melancólico do cantor e compositor. O disco, que faz referência ao primeiro aparelho de sampler usado no Brasil, o Roland TR-808, deve unir sambas tristes e funk carioca. Algumas das músicas presentes no trabalho ele já vem apresentando em seus shows.

Outro bastante aguardado é o novo de BNegão e Os Seletores de Frequência

Depois de sete anos do lançamento do disco de estréia, BNegão e Os Seletores de Freqüência programam lançar em maio o novo trabalho, que deverá ser vendido nas bancas a preços populares. A data de lançamento vem sendo adiada seguidas vezes e já está virando lenda.

Outro nome desse universo independente que vai lançar disco novo é o paulista Romulo Fróes. Ele já começou a gravar Um Labirinto Em Cada Pé, que traz de volta o foco para o samba. O álbum deve sair no segundo semestre de 2011. Na mesmo período, sai o novo de Lucas Santtana. Gravado metade com cada uma das bandas que o acompanha, uma do Rio e outra de São Paulo, o disco vai ser focado em canções. Lucas deve soltar também um disco em homenagem a Tom Zé, com vários convidados cantando e tocando músicas do artista baiano.

Um dos encontros que aconteceram em 2010 e que deve render um dos trabalhos mais interessante no novo ano é o que vai reunir o músico cearense Fernando Catatau produzindo o novo disco do pernambucano Siba. O álbum deve sair no final do ano e, diferente dos trabalhos anteriores de Siba, não vai ser focado no maracatu. O músico, acompanhado de bateria, vibrafone e tuba, assume guitarra, voz e composições e promete um trabalho bem diferente do que o feito no projeto com A Fuloresta.

Um outro projeto interessante, que sairá provavelmente em março, é o disco Bambas Dois, do produtor BID em parceria com o músico Fernando Nunes e do DJ Gusta, do Echo Sound System. O trabalho dá seguimento a Bambas e Biritas – Vol. 1, e pretende mostrar a mistura da música brasileira com ritmos jamaicanos, como reggae, dancehall e rocksteady. Para isso, os brasileiros vão receber como convidados importantes artistas jamaicanos e brasileiros. Entre eles, Heptones, U-Roy, Tony Rebel, Oku Onuora e novatos como Ky-Mani Marley (filho de Bob Marley), Sizzla Kalonji, Queen Ifrica, Luciano, I Wayne e Jesse Royal, nos vocais. Cuidando da parte instrumental, nomes como Ernest Ranglin (Skatalites), Robbie Lynn (da gravadora Studio One) e Sticky (percussionista de Bob Marley e Augustus Pablo). Pelo lado brasileiro estarão presentes Daniel Ganjaman, Lúcio Maia, Marcelo Castilho, Siba, James Mü, Jorge Du Peixe, entre outros.

O ex-Cordel do Fogo Encantado, Lirinha, lança em 2011 seu primeiro disco solo

Outro cantor e compositor que prepara material novo é Rubinho Jacobina. Seu segundo disco inclui composições próprias e inéditas, além de dois temas do compositor carioca Haroldo Barbosa (1915-1979). A lista de cantores que lançam disco em 2011 tem ainda os novos discos dos cariocas Jonas Sá, Marcelo ‘Momo’ Frota e Black Alien, dos paulistas Fábio Góes e Jair Naves, do pernambucano China e do sergipano Alex Sant’Anna, além dos primeiros trabalhos solos do ex-Montage, Daniel Peixoto, e do ex-Cordel do Fogo Encantado, Lirinha.

Outro integrante do grupo pernambucano que lança novo projeto em 2011 é o violinista Clayton Barros, com o nome Os Sertões. De Pernambuco saem ainda discos das bandas Mundo Livre S/A; Volver, com o terceiro disco, Próxima Estação; Nuda, com A Maré Nenhuma; Lulina com Meus dias 13; além de Julia Says, Amp, The River Raid e Pouca Chinfra. O esperado segundo disco de Junio Barreto também deve sair, ele já está gravando em Recife.

Nesse universo de bandas independentes, vários lançamentos prometem colocar o cenário mais uma vez na ordem do dia. Entre eles o novo disco da banda de Cuiabá Macaco Bong, que lança já em janeiro um DVD e CD ao vivo com participação de vários convidados, como Siba, o jovem pianista Vitor Araujo, o percussionista Jack Willians da banda Porcas Borboletas e o quarteto de metal do Móveis Coloniais de Acaju. Já a goiana Black Drawing Chalks está soltando seu primeiro disco ao vivo e no segundo semestre solta um novo com inéditas.

Destaque também para a aguardada estréia do Mini Box Lunar, do Amapá. O disco, que terá produção de Carlos Eduardo Miranda e Cyz, contará com participação dos metais do Móveis Coloniais de Acaju, além de flautas, vibrafone e cordas. No segundo semestre será lançado na Europa, com direito a turnê por lá. Ainda o primeiro disco cheio dos paranaenses da Nevilton; o segundo disco do grupo carioca Supercordas e o novo disco da banda alagoana Mopho, o terceiro da carreira, que terá participação de Luiz Carlini (Tutti-Frutti). Tem ainda o novo trabalho do guitarrista Pio Lobato, do Pará; o terceiro álbum da banda carioca Canastra, que reune música snovas e antigas; e a estréia dos sergipanos The Baggios.

Os gaúchos da Bidê ou Balde de volta a ativa

Quem volta em 2011 com novo CD são os gaúchos da Bidê ou Balde. O novo trabalho, o primeiro após mais de cinco anos sem material inédito, já teve duas músicas lançadas na internet, “Me Deixa Desafinar” e “Tudo é Preza!”. O disco vai reunir músicas novas produzidas pela banda desde 2007.

Completam a lista de lançamentos previstos para 2011, os goianos Violins, Diego de Moraes e O Sindicato, Gloom e Hellbenders; os cearenses do Plastique Noir, Karine Alexandrino e Fóssil; Os gaúchos da Rinoceronte, Walverdes e, dizem, Superguidis. De Minas, vários lançamentos, como 4instrumental, Transmissor, Capim Seco, Chico Amaral, Zé da Guiomar, entre outros. Tem ainda os paraenses Madame Saatan e Trio Manari; as bandas paulistas Elma e Gigante Animal; as estreias dos paraibanos da Burro Morto, com Baptista Virou Máquina; que já vazou); os paranaenses do Copacabana Club, com Tropical Splash; e o segundo disco dos acreanos do Los Porongas. Mais novidades vindo do Rio Grande do Norte, com lançamentos de The Bonnies, Lunares, Calistoga, Orquestra Boca Seca, Mahatma Gangue e Camarones Orquestra Guitarrística, essa com produção de Chuck Hipolitho O próprio Chuck lança o disco de estreia de seu novo projeto, Vespas Mandarinas. É muita coisa.